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12 min de leitura

Fazendo um guia impresso de 15 anos competir com apps mais novos

O Dois por um é um guia impresso, de 15 anos, com 122 ofertas 2×1 em São Paulo: você leva alguém e a casa paga o segundo. Hoje ele disputa espaço com apps de 4,5 a 4,9 estrelas, enquanto o app dele tem 2,4 na Play Store e 3,4 na App Store. Li as avaliações, comparei três concorrentes, entrevistei cinco usuários e redesenhei o site e um app gratuito de apoio. O livro físico é o que quase ninguém mais tem, então o digital precisava servi-lo. Dirigi o design e construí em código com o Claude Code, e depois usei IA para avaliar o resultado, separando o que é medido do que é opinião.

Em 30 segundos

  1. Problema

    O app tem 2,4 estrelas na Play Store e 3,4 na App Store, contra 4,5 a 4,9 dos concorrentes. As avaliações pedem há anos filtros melhores, compartilhamento e uma visão da economia.

  2. O que fiz

    Li as avaliações das lojas, comparei 3 concorrentes, entrevistei 5 usuários e construí um site imersivo e um protótipo de app numa só linguagem visual.

  3. Resultado

    O site novo mostra o conteúdo principal em 1,7 s no celular, não em 11,1 s. O app novo atende as 10 necessidades das entrevistas, num protótipo com dados de exemplo. Ainda sem teste com pessoas.

Visão geral

O Dois por um é um guia de ofertas 2×1 em restaurantes, bares, hotéis, spas e passeios de São Paulo. Está na décima segunda edição, custa R$ 207 e chega pelo correio. A oferta só vale com o guia físico: o app e o site ajudam a escolher e a achar o lugar, mas nunca substituem o livro. Este é um case por iniciativa própria, não o site oficial do produto.

O site e o app atuais, à esquerda, em preto, e o site e o app redesenhados, à direita, em vermelho

Problema

Uma marca de 15 anos estava sendo ultrapassada por marcas bem mais novas

O guia criou o hábito de sair a dois com desconto, mas hoje divide esse espaço com o Duo Gourmet e o Prime Gourmet, que vivem só em app, e com o Passaporte de Pinheiros, um livro sem app. Nas lojas, o Dois por um tem 2,4 estrelas na Play Store e 3,4 na App Store, enquanto os dois concorrentes ficam entre 4,5 e 4,9. Um entrevistado chamou o app de “um PDF estático”.

  • Os concorrentes mostram mais para decidir: faixa de preço, dias e horários, filtros por bairro e cozinha, avaliações.
  • As lojas pedem as mesmas coisas há anos: filtros melhores, compartilhar com outra pessoa, avaliar os lugares e ver o total economizado.
  • O app não usava o que só ele tem: o livro, os avisos de fechamento e a galeria de arte.
  • A marca não parecia a mesma em lugar nenhum: o site, o app e o livro tinham cores e tipografia diferentes.

A pergunta de design: como uma marca de 15 anos pode competir com produtos mais novos usando o que só ela tem, o livro?

Notas do app nas lojas do Brasil em 17 de outubro de 2026: o Dois por um tem 2,4 na Play Store e 3,4 na App Store; o Duo Gourmet, 4,7 e 4,9; o Prime Gourmet Club, 4,5 e 4,7

Benchmark

O benchmark mostrou onde o app perdia e o que só o Dois por um tem

Li o app e o site atuais e os dois concorrentes só de app, tela a tela, em onze pontos. O Passaporte de Pinheiros entrou como referência de livro físico, sem app.

Duas conclusões guiaram o resto: o que os concorrentes fazem melhor (informação para decidir e filtros) virou uma lista de lacunas, e o que só o Dois por um tem (o livro, os avisos de mudança e a galeria de arte) virou o centro da proposta.

Tabela comparando o Dois por um, o Duo Gourmet, o Prime Gourmet e o Passaporte Pinheiros em nove critérios, com o logo de cada marca e a nota nas lojas
Um dos participantes comparou o app atual a “um PDF estático” e o achou básico para o preço do guia.

Processo

Do que ouvi ao que redesenhei

O que cada exercício do discovery mudou nas decisões.

O caminho da pesquisa

Pesquisa de mesa, conversa com o cliente, benchmark e survey, depois cinco entrevistas e uma síntese em frases de HMW e JTBD. Teste de usabilidade, personas e fluxo do usuário ainda estão por vir.

The research path: what is done and what comes next

Cinco entrevistas

Um roteiro de cerca de 30 perguntas sobre rotina, apps, escolha de locais, economia e reservas. Os cinco querem filtros mais detalhados e confirmam informações fora do app; três pedem formas de pagamento, fotos e cardápios.

Os cinco participantes (P1 a P5) e dez temas das entrevistas, com quantos dos cinco falaram de cada um

Insights e oportunidades

Seis insights viraram cinco oportunidades: transformar navegação em descoberta, páginas prontas para decidir, filtros pelos critérios reais, um benefício tangível e planejamento compartilhado.

Do desafio às cinco oportunidades: quatro insights e as oportunidades ligadas às decisões do redesenho

A jornada de quem usa o guia

Seis momentos, de decidir aonde ir até voltar e compartilhar, cada um com o seu atrito e o que mudei.

The user journey in six moments, with friction and what changed
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Desafio

O digital precisava servir ao livro e igualar o que os apps fazem bem

Decidi cedo que o livro é o protagonista. O app é um companheiro: acha, filtra, lembra e avisa. Ele também precisava fechar as lacunas do benchmark, senão ficaria para trás de qualquer app novo.

01

O livro continua sendo a chave

Cada local diz que a oferta precisa do guia, e o livro 3D abre a página inicial.

02

O app fecha as lacunas

Filtros de verdade, informação para decidir, economia à vista, reservas e conexões.

Decisões-chave

Seis decisões, cada uma ligada a algo que vi no discovery

As restrições moldaram a maior parte delas: uma marca de três cores, nenhum cardápio ou agenda reais, e um protótipo que precisava ser honesto sobre isso.

Decisão 1

O livro lidera, o app acompanha

Só o Dois por um tem livro físico e app, então o livro 3D lidera a hero e cada local diz que a oferta precisa do guia. Dois entrevistados acham o livro incômodo de carregar, então desenhei um voucher digital com QR como proposta, marcado assim em toda tela: pela regra de hoje, o guia impresso é a chave.

A página inicial do Dois por um com o livro 3D, ao lado da primeira tela de boas-vindas do app

Decisão 2

Uma só linguagem visual para o site, o app e o impresso

O app atual tinha sobras de template e quatro famílias de fonte. Defini três cores (vermelho, preto e branco), Archivo e Martian Mono, contornos grossos e sombras duras, e desenhei o logotipo em vetor. As três cores de categoria são a única exceção, reservadas ao mapa.

Seções do site e telas do app com as mesmas cores, tipografia e contornos grossos

Decisão 3

Primeiro o mapa, depois a lista

No Duo Gourmet não dá para filtrar com o mapa aberto. No redesenho, explorar e salvar são uma tela só: um mapa em tela cheia e uma gaveta de cartões que se arrasta, e filtrar mexe nos pinos ao mesmo tempo. O botão do filtro mostra quantos locais sobram. Doze das 23 avaliações escritas da App Store pediam filtros melhores.

O mapa do site e o app com a gaveta e a folha de filtros, com a forma de pagamento

Decisão 4

A economia é informada pela pessoa, nunca inventada

Um participante só achou o recurso de economia meses depois de instalar, e o guia não traz valor em reais. Então a pessoa digita o valor, escolhe um estimado ou anexa a nota, e a tela Visitados mostra quanto falta para o guia se pagar (R$ 207).

A página do lugar, a folha de visita com como pagaram e três jeitos de informar a economia, e a tela de Visitados

Decisão 5

Um assistente para quando a decisão trava

A principal motivação no survey era o prazer de descobrir lugares novos, e o app atual só tinha um botão “estou com sorte”. A aba da varinha pergunta sobre o momento, a ocasião, o que o grupo NÃO come e o clima, e sugere três locais com os motivos.

O assistente perguntando sobre o clima e a distância, os filtros e o mapa

Decisão 6

Ser honesto sobre o que é simulado

Não há dados reais de cardápio, pagamento, avaliações ou fotos, então tudo é exemplo ou vem de quem usa o app, e cada tela diz qual. A confirmação da reserva e as pessoas conectadas são simuladas, e o voucher com QR é uma proposta.

Um local com formas de pagamento e notas de exemplo, a folha de conectar e o voucher por QR, cada um marcado como exemplo, simulação ou proposta

Solução

Um site, um mapa e um app, todos apontando de volta para o livro

Uma página inicial que vende o livro e explica como funciona, um mapa de todas as ofertas e um app gratuito que mantém o guia atualizado. Nenhuma esconde que o livro é necessário.

Solução 1

Uma página inicial imersiva

Uma página calma, guiada pela rolagem, em três cores: o livro, a ideia, como funciona em três passos, o app, onde comprar e as dúvidas das pessoas. No celular o conteúdo principal aparece em 1,7 s, contra 11,1 s do site atual, e a página inicial pesa 0,5 MB, contra 12 MB.

Solução 2

Um mapa com as 122 ofertas

Cada local num mapa com pinos por categoria, uma lista que o acompanha, busca e filtros. O local abre como uma página de caderno, com a foto à esquerda e a oferta à direita. Os 9 locais encerrados ficam no fim da lista, em cinza, com quem os substituiu.

Solução 3

Um app gratuito de apoio

Um protótipo gratuito com o explorador, locais salvos, a página do local, visitas com economia, um assistente, avisos de mudança e um perfil com conexões. Ele roda dentro do celular do site, onde um dedo o usa sozinho para mostrar cada recurso.

Cinco telas do app: explorador, filtros, lugar, assistente e reserva

O app em uso

Os sete recursos, cada um usado por um dedo

O app roda dentro do site. Estes são os roteiros que o dedo faz, gravados do próprio protótipo.

Filtros que dizem quantos locais sobram

Categoria, cozinha, distância, área aberta e forma de pagamento, com o número de locais que sobram ao vivo. O pedido mais repetido nas avaliações e nas entrevistas.

O mapa e a gaveta andam juntos

Filtrar muda os pinos ao mesmo tempo, e tocar num cartão abre o local. Uma avaliação da Play Store reclamava de ir da lista ao mapa.

Salvar com o coração

Cada cartão tem um coração, e a aba Salvos reúne o que a pessoa guardou, no mapa e na lista.

Conectar outra pessoa e combinar aonde ir

Um código que aparece só no app de cada pessoa conecta duas pessoas, que veem os locais salvos uma da outra e o que têm em comum. Simulado no protótipo. Seis avaliações da App Store pediam isso.

Cardápio que conta o 2×1

Marcar pratos mostra quanto a casa paga. Os três cardápios são exemplos, rotulados como tal.

Reserva em poucos toques

Dia, horário e número de pessoas. Os horários são exemplos e a confirmação é simulada, e a tela diz isso.

Avisos de mudança no sino

Mudanças de endereço, fechamentos e novidades, com etiqueta, data e um ponto nos não lidos. Entre os três apps lidos, só o Dois por um tem isso.

Experimente

Use o app e visite o site

O protótipo funciona de verdade, no celular ou no computador. Salvos e visitas ficam só no seu navegador; pagamentos, notas, fotos e cardápios são de exemplo.

Avaliação

Medir e ler: o que mudou do atual para o novo

Usei IA para comparar os dois sites e os dois apps, separando o que uma ferramenta mede do que a IA lê.

Sites · medido

O site novo mostra o conteúdo 6× mais rápido no celular

Lighthouse, três rodadas por site, mediana. O maior conteúdo visível aparece em 1,7 s, contra 11,1 s do site atual. Nem tudo melhorou: o tempo de bloqueio subiu de 0 para 246 ms, o preço das animações e do livro 3D. A ferramenta também achou dois erros reais de acessibilidade, que corrigi (de 93 para 100).

Comparação das medidas do Lighthouse entre o site atual e o novo: desempenho, maior conteúdo visível, peso, layout que pula, acessibilidade, tempo bloqueado e SEO

Sites · lido pela IA

Sete critérios, e o site novo cumpre os sete

Para o que uma ferramenta não mede, a IA leu os dois sites contra sete critérios, com a evidência ao lado de cada nota. A primeira leitura deu 6 de 7 ao site novo: ele perdia em velocidade de carregamento e em regras e perguntas completas. Fechei as duas e li de novo: 7 de 7, contra 3 do site atual. O Claude leu e também construiu o site, então o viés favorece o novo, e por isso cada nota leva a sua evidência.

Leitura por IA dos dois sites em sete critérios, com a nota e a evidência de cada um: o atual soma 3 de 7 e o novo, 7 de 7

Apps · necessidades

Das 10 necessidades das entrevistas, o app novo atende as 10

Cada necessidade virou uma linha, com nota e a tela ou o código como evidência. O app atual não atende nenhuma por completo. O novo atendia 4 no começo; fechei o resto no protótipo (formas de pagamento, avaliações, não carregar o livro) e li de novo. Atender significa que o fluxo é mostrado, não que o dado existe: são dados de exemplo, e o voucher com QR é uma proposta.

As dez necessidades das entrevistas e a nota de cada app: o atual atende 0 e o novo atende as 10, algumas com dados de exemplo ou como proposta

Como foi feito

O que foi medido, o que foi lido e o que falta

Medido é o que uma ferramenta repete (Lighthouse, axe-core). Lido é o que a IA pontuou com uma lista fixa. Ainda falta um teste de usabilidade com cinco pessoas e dados de uso. Uma segunda leitura cega, por outra IA, reduziria o viés.

Três colunas: o que foi medido, o que foi lido pela IA e o que ainda falta, e os limites da avaliação

Resultados

Um protótipo completo, com números honestos

São entregas, medições e leituras por IA, não resultados de negócio: o site e o app não estão em produção e ainda não há teste com pessoas.

  • 6×

    mais rápido para mostrar o conteúdo no celular (medido)

    O maior conteúdo visível aparece em 1,7 s no site novo, contra 11,1 s do atual, e a página inicial pesa 0,5 MB, contra 12 MB.

    Lighthouse 12, três rodadas por site, mediana, simulando celular: o site novo no ar em 17 out 2026 (seis rodadas, antes e depois de ajustes de estilo, deram LCP de 1,4 a 1,8 s e tempo bloqueado de 208 a 350 ms) e o atual em 16 out. Ficou pior: o tempo bloqueado (de 0 para 246 ms) e o SEO (63, porque o endereço de teste está bloqueado de propósito).

  • 10 de 10

    necessidades das entrevistas atendidas pelo app novo (leitura por IA)

    O app atual não atende nenhuma por completo. O novo atende as 10 no protótipo, com dados de exemplo e o voucher com QR como proposta.

    Leitura por IA das telas e do código, com a evidência de cada nota, depois de fechar as lacunas da primeira leitura (4 de 10). O Claude também construiu e corrigiu o app novo, então há viés. Não substitui o teste com pessoas.

  • 0

    violações de acessibilidade em 40 telas e folhas do app

    Verificado com o axe no explorador, salvos, visitados, local, cardápio, reserva, assistente, avisos, perfil e nas principais folhas.

    axe-core rodado em cada tela e folha, no celular e num navegador sem janela (tags WCAG 2.2 AA e boas práticas), sem a moldura do celular do estudo. Não substitui o teste com pessoas.

  • Reflexão

    O benchmark mudou o que eu desenharia. Eu teria começado consertando o que o Dois por um faz pior, e ele mostrou que a vantagem está no que só ele tem: o livro. A decisão mais útil foi um limite: o que o app pode fazer (achar, lembrar, avisar) e o que só o livro faz (resgatar). Também aprendi a rotular o que é inventado e, quando a IA avalia o que a própria IA construiu, a dizer isso e a separar o que é medido do que é lido.

O que eu melhoraria a seguir

  • Testar com pessoas. Um teste de usabilidade com leitores do guia para checar o mapa, a tela de economia e o assistente, e uma segunda leitura cega por outra IA.
  • Decidir o voucher digital com a empresa. O QR tira o incômodo de carregar o livro, mas contradiz a regra de hoje e exige servidor e o acordo dos parceiros.
  • Trocar o exemplo por dados reais. Formas de pagamento, cardápios, fotos e avaliações vindos dos parceiros e de quem usa o guia.